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Anna Bella Geiger
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Entre os vetores do Mundo

A experimentação e a pesquisa determinam os vetores criativos de Anna Bella Geiger. Sua liberdade criativa se manifesta em diversos suportes e materiais. Através de apropriações, deslocamentos e ressignificações a artista incorpora questionamentos que perpassam toda a sua produção. Ao distender as fronteiras entre o passado, o presente e o futuro, Anna Bella constrói uma obra que consegue ser ao mesmo tempo atemporal e iconográfica. Junto a outras artistas contemporâneas, forma uma poderosa linhagem feminista que redefine o cenário artístico brasileiro.

Sem se comprometer com práticas estritamente conceituais, a artista desenvolve uma geografia de caráter antropológico que estrutura suas ações artísticas e expande os conceitos tradicionais de representação para se projetar como elemento de cultura e questionamento de mundo. Através de práticas dialéticas, adota uma estratégia de enfrentamento e ousadia, deslocando o agente artístico e incorporando a seriação como elemento de comunicação. Com o resgate de imagens, memórias e lembranças instaura a indagação sobre a pluralidade desse mundo contemporâneo, dilacerado em suas fronteiras, e seus limites. Como provocação estética, recusa aspectos contemplativos e insere a visualidade num campo mais amplo e expandido, longe do discurso panfletário e, também, do hermetismo conceitual. É no território difuso entre o real e o virtual, entre aquilo que está e aquilo que se desloca, que a trajetória de Anna Bella Geiger está fundada. 

Para essa mostra, além de obras de importância histórica, trazemos também a vivacidade da sua produção mais recente que reflete o comprometimento artístico e inquietação intelectual de Anna Bella Geiger.

Marcus de Lontra Costa | curadoria

Rafael Fortes Peixoto | co-curadoria

O trabalho de Anna Bella Geiger começa no abstracionismo informal, expõe trabalhos na 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata organizada pelo MAM-RJ e realizada no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, Rio de Janeiro. A exposição foi um impulsionamento importante na sua trajetória, no entanto, em meados da década de 1960, a pergunta da abstração na sua produção foi dando lugar a outras questões de natureza estética e política. 

 

Assim começa a produção da sua série Viscerais, que ganha esse nome pelo crítico Mário Pedrosa. As obras, que no começo eram desenhos com guache e aquarela, traziam na sua composição um conjunto de cores e formas que evocavam o interior do corpo humano. Esse percurso leva seu trabalho a ganhar cada vez mais contornos figurativos.

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Já em meados da década 1960, o Brasil em plena ditadura civil-militar, Anna Bella inaugura uma nova fase no seu percurso artístico, seus trabalhos passam a assumir uma postura crítica em relação à arte, sua natureza e suas conexões com o espaço sociopolítico brasileiro e internacional. Abandona suportes tradicionais, levando a experimentar fotos, cartões postais, filmes e outros materiais. 

Nos anos 1980 a artista começa a pintar e desenvolve longas séries, como Píer & Ocean, fazendo uma reavaliação crítica tanto da história da pintura quanto dos signos de seus trabalhos anteriores. Os anos 1990 são marcados por séries como Fronteiriços, em que novos materiais são usados. As formas cartográficas reaparecem vazadas em metal dentro de caixas de ferro ou gavetas de mapotecas preenchidas por encáustica. No limite entre gravura, pintura e objeto, essas obras são o emblema perfeito de toda sua produção na medida em que atualizam as séries anteriores. Mais recentemente, retoma seus interesses pelas novas tecnologias utilizando o vídeo como na instalação Circa e na apropriação de jornais na série Rrose Sélavy, mesmo em que homenageia uma das suas grandes influências, o artista francês Marcel Duchamp.

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