Joaquim Miguel Dutra (Piracicaba SP 1864 - São Paulo SP 1930). Pintor, decorador, músico, escultor e professor. Inicia sua atividade artística na primeira década do século XX. Paisagista autodidata, atuante em Piracicaba, São Paulo, elege o rio da cidade como seu principal ponto de interesse, representando-o na maioria de suas pinturas, que ora destacam o salto do Piracicaba, a rua do Porto, as usinas de açúcar, ora ressaltam a figura dos pescadores ou lavadeiras. Dificuldades financeiras, que se agravam pela boemia e pelo jogo, levam-no, por vezes, a executar serviços de pintura, forração de paredes e caixilharia. Como artista decorador, realiza trabalhos em igrejas, teatros e residências. São de sua autoria as pinturas decorativas de várias igrejas no interior de São Paulo: Capivari, Caconde, Itapira e Limeira e da antiga matriz de São Carlos. Como escultor, realiza imagens de Santa Bárbara, São José e do menino Jesus para igrejas de Santa Bárbara e Limeira. Em São Carlos, decora a residência de Antonio Carlos de Arruda Botelho, o conde do Pinhal, e pinta o pano de boca do Teatro Santo Estevão. Também é chamado para decorar as residências de José Leite Negreiros, Adolpho Carvalho e de Anna Cândida de S. Rezende, a baronesa de Rezende, em Piracicaba, entre outras. Tocador do instrumento de sopro oficlide, participa de orquestras locais e compõe tangos, valsas, polcas e outras melodias, muitas delas dedicadas a amigos e parentes, como o tango A Guanchuma ou a marcha Saudades de Almeida Júnior, executada nas homenagens do 30º dia da morte do amigo, com quem convivera em Piracicaba, e de quem recebera elogios como pintor.