“Solidão com filtro” surge a partir de um dos registros feitos por Marçal Athayde pela cidade. Seu método de trabalho, em geral, consiste em perambular e fotografar cenas para transpor em suas telas. Certo dia, viu uma criança sair rapidamente da janela retirada por um adulto.

 

A janela com suas esquadrias de alumínio, refletindo uma construção do final do século XIX, gerou uma reflexão sobre o tempo e a solidão das grandes cidades. Marçal diz que imaginou aquela criança tornando-se um adulto solitário, tendo como única companhia o cigarro e o tempo massacrante.

Para além da cena vista, a obra propõe um segundo momento, que fica sugerido, mas não explicitado: a baforada espremida da fumaça do cigarro por entre as janelas. 

Marcal Athayde

Solidão com filtro

Óleo sobre tela

190x235cm