enquanto se torna | Thales Pomb
28.02.2026—28.03.2026
Curadoria Gabriela Gotoda
Paisagens com horizontes e formações aparentemente vegetais, possivelmente geológicas. Cenas internas e externas, de interações humanas e animais. Telas veladas por chassis e caixas, cenas reveladas entre molduras teatrais — esses são alguns dos principais motivos que aparecem na produção recente de Thales Pomb. Suas pinturas, desenhos e esculturas produzem imagens que não podem ser facilmente associadas à realidade. Ao confrontar a tensão entre cor e forma na constituição pictórica, essas obras subvertem a figuração para favorecer o gesto. As figuras, cenas e paisagens se tornam aqui, meios metafísicos para a contemplação do imaginar.
Montando e desmontando liminarmente o espaço-tempo, os campos de cores difusas nas pinturas evocam luzes raras, como a luminosidade oblíqua que envolve o entorno do nascer e do pôr do sol, especialmente na natureza. Essas luzes atravessam o espaço em pouco tempo e apesar — ou por causa — disso, depositam momentos de suspensão, em que tudo está por ser revelado ou ocultado, tudo parece prestes a se transformar. Os contrastes e gradações cromáticas esquematizam fases de uma luz fragmentada, estruturando o espaço-tempo de um gerúndio perpétuo, em que há apenas o possível infinito do momento enquanto ele se torna.
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Expressão genuína: Giovanni Castagneto
28.02.2026—25.04.2026
Texto crítico Yuri Quevedo
As marinhas ocupam um lugar especial na história da arte moderna ocidental. Herdeiras da ordenação pitoresca ou do assombro sublime, elas se constituem como paisagens onde a humanidade elabora sua relação com o mar — porção de água tranquila ou força incontrolável da natureza. Diferente da fumaça das locomotivas, ou do borrão do fluxo urbano, o humor das marés não serve como imagem agradável do dinamismo moderno, ao contrário, seu ritmo representa uma ordem inexorável e melancólica, que draga tudo para seu âmago. Se a célebre frase “tudo que é sólido se desmancha no ar” descreve a instabilidade das estruturas na nova era, aqui essas mesmas estruturas são corroídas pelo mar — uma força moderna que inevitavelmente nos arrasta para o futuro, nem que seja pela via da ruína.
Giovanni Battista Castagneto é o pintor de sua época que melhor compreende essa força. Nascido em Gênova em 1851, filho de marinheiro e ele próprio embarcado, chega ao Rio de Janeiro em 1874. Três anos depois, passa a frequentar a Academia de Belas Artes, onde obtém medalhas antes de dividir o prêmio máximo da Exposição Geral de 1884 com seu mestre, Georg Grimm, defensor da pintura ao ar livre. Sem recursos, equilibra-se entre os professores mais antigos — em especial Zeferino da Costa, a quem auxilia na Candelária — e o grupo formado em torno de Grimm, que incluía Antônio Parreiras.
Com a morte do pai, em 1886, passa a viver entre uma embarcação-ateliê e a casa de amigos. Consolida-se então sua imagem de artista rude e rebelde
— adjetivos mobilizados para explicar a expressividade das pinceladas, o aspecto tosco dos brancos espatulados e engrossados com gesso, e certa liberdade compositiva. A vida boêmia e os suportes improvisados — tampas de charuto, pratos, embrulhos, até bacalhau seco — reforçam uma aura de genialidade popular, também muito moderna, que renega convenções em favor de uma expressão genuína.
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Guerrilhas Artísticas
13.12.2025—28.02.2026
Curadoria Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto`
Guerrilhas Artísticas dá continuidade ao projeto da Danielian que percorre os últimos 200 anos de produção artística brasileira com as exposições Modernidades Emancipadas [2022/23] e Abstrações Utópicas [2023/24], promovendo revisões críticas de questões centrais do cenário da arte e da cultura no Brasil. A partir de uma orientação cronológica, esta mostra irá apresentar artistas e produções realizadas entre as décadas de 1960, 1970 e o início dos anos 1980. A reunião destas obras, libertas de qualquer intenção classificativa, permite a observação das particularidades do ambiente brasileiro deste período em encontro com as vanguardas e movimentos internacionais como a pop americana, a póvera italiana, a nova figuração, a arte conceitual. assim como outras atuações que tiveram a arte como espaço de ação política e social.
O Brasil urbano e em processo de industrialização, já no final dos anos 1950, apresenta novas estruturas e organizações sociais. Com a ditadura militar, a partir do golpe de 1964, a tensão e o medo passam a fazer parte das relações de convívio, assim como sentimentos antagônicos de cumplicidade através da formação de territórios e comunidades de resistência. Diante do cenário de supressão de direitos individuais, de perseguição e de tortura, a arte para muitos se configurava como espaço de afirmação e de guerrilha. Nas visualidades, obras de forte apelo gráfico fagocitam as linguagens da comunicação em massa e assumem uma postura de denúncia. Da mesma forma, com o aprofundamento em conceitos e noções compartilhadas, o espaço físico se revela como o local da ação, demonstrando as complexas topografias da sociedade brasileira. O corpo e a ação do artista, em última instância, se tornam a principal ferramenta de subversão e de resistência. Ao enfrentar sistemas e circuitos de poder econômico, político e cultural, a arte brasileira marca sua identidade no contexto mundial da segunda metade do século XX.
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SITUAÇÃO
06.12.2025—07.02.2026
Curadoria Dereck Marouço e Livia Benedetti`
SITUAÇÃO é a primeira exposição do projeto contemporâneo da Danielian. A coletiva propõe uma aproximação entre seus artistas representados e artistas históricos do acervo da galeria, tomando como eixo curatorial o próprio fazer e processo artístico. As obras apresentadas apontam tanto para a prática individual de cada artista quanto à própria história da arte e à crítica ao cânone ocidental, e mostram uma arte em movimento, direcionada a poéticas específicas, parte constituinte do panorama artístico atual para o qual a galeria contribuirá com o seu programa.
Como colocado pelo filósofo italiano Giorgio Agamben [Roma, 1942]: ser contemporâneo ‘significa ser capaz não apenasde manter fixo o olhar no escuro da época, mas também de perceber nesse escuro uma luz que, dirigida para nós, distancia-se infinitamente de nós’. Instante fugidio postoem evidência, essa luz é capaz de colocar o momento presente em foco. Aqui, o faixo de luz se mostra neste início do projeto contemporâneo da Danielian e reforça a troca entre o passado e o tempo-de-agora. Ao exibir diferentes contribuições ancoradas na atualidade em relação a produções artísticas de outras épocas, a galeria situa ambas as suas frentes de atuação — mercado secundário e primário —, criando terreno sólido para a ampliação de suas atividades.
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Olhar a floresta, ver a floresta
18.11.2025—07.02.2026
Curadoria Ivo Mesquita
`Embora coincidindo com a abertura da COP30 na Amazônia, esta exposição não pretende nenhuma declaração ou manifesto sobre a questão ambiental. Ao contrário, propõe um espaço de silêncio e contemplação reunindo trabalhos de artistas – pinturas, fotografias, esculturas, instalação – que remetem a uma experiência, uma visão da floresta, para pensar a floresta. Diante do aquecimento global, a despeito dos negacionistas, estamos obrigados a olhar a paisagem natural, reconhecer a crise climática e o colapso ambiental que já se anuncia no presente. A arte nos ensina a olhar.
A organização espacial propõe um percurso por imagens objetivas, que pontuam o descobrimento e o processo devastador da apropriação e colonização da paisagem originária no país. Parte da primeira impressão registrada pelos viajantes e cientistas do século XIX, a expressão do espanto deslumbrado diante da eloquência da natureza, um cenário de abundância, um monumento aos sentimentos românticos mais arrebatados. Na sequência aparecem imagens do regime de domesticação e exploração das florestas com a extração de madeira, criação de fazendas, urbanização e crescimento das cidades, onde ela é replicada e arremedada pelos parques públicos, chácaras e condomínios, nos jardins privados, e romanticamente metaforizada nos vasos de flores. Sim, mas também imagens distantes da violência devastadora que move a grande economia da mineração, das queimadas e dos defensivos agrícolas.
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Ismael Nery: crônica e sonho
28.08—18.10.2025
Curadoria Tadeu Chiarelli
A obra de Ismael Nery (1900-1934) foi divulgada como uma das raras manifestações do surrealismo no Brasil, sendo que alguns não se vexaram em colocar no artista a alcunha de “nosso Marc Chagall”. Não resta dúvida de que Nery constituiu uma poética em diálogo com o simbolismo e o surrealismo e, nessa interlocução, a produção de Chagall foi um parâmetro importante. Mas não apenas.
Resumir Nery a um mero seguidor do artista nascido na atual Bielorrússia é diminuir sua importância e originalidade. Sua produção dialoga com Chagall, é claro, mas igualmente com outros artistas, como o Picasso clássico e outros nomes ligados ao surrealismo e mesmo ao decadentismo do século 19, ainda vigoroso na Europa durante as primeiras décadas do século passado.
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Vicentes — Monteiro: Entre Recife e Paris
(1899–1970)
08.05—05.07.2025 / SP
07.08—18.10.2025 / RJ
Curadoria Paulo Bruscky
Esta exposição do múltiplo artista Vicente (Paulo) do Rego Monteiro (1899-1970) abrange um recorte da sua produção diversificada e pioneira, como a pintura, o desenho, poemas, poesia visual, livro de artista, fotografia, textos e edições da sua La Presse à Bras, com a qual editou livros primorosos, principalmente no aspecto tipográfico, considerado um dos mais importantes da história das artes gráficas brasileiras. Em consonância com o crítico de arte Walter Zanini, reitera- se, nesta exposição, a ancoragem de Vicente como um dos mais importantes artistas da história da arte brasileira e internacional no século 20. Ao pesquisar a correspondência de Vicente com o galerista Carlos Ranulpho, encontrei, em uma das cartas (datada Barra/RJ, 07 de março de 1970), a solicitação do artista pela sua certidão de nascimento, na qual menciona “meu nome na certidão de batismo (Igreja da Boa Vista) é Vicente Paulo do Rego Monteiro”.
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Rosina Becker do Valle — Verde que te quero ver-te
22.05—19.07.2025
Curadoria Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto
Ver o novo, algumas vezes, é apenas um exercício de despir o olhar. As obras de Rosina Becker do Valle nos fazem esse convite. Sua trajetória pessoal e artística ilustra características e desafios que fizeram parte da arte brasileira ao longo do século XX e são fundamentais na estruturação de um pensamento contemporâneo múltiplo e diverso.
Nas primeiras quatro décadas de sua vida, Rosina dedicou-se aos cuidados da família e da casa, situação recorrente em sua época. Apesar de uma relação íntima com o desenho desde jovem, foi apenas a partir de 1954 que Rosina mergulhou na pintura como expressão de sua criatividade, através das aulas com Ivan Serpa no MAM-RJ. Esse despertar tardio de um potencial artístico latente foi comum e ocorreu com outras artistas mulheres a partir da segunda metade do século XX, como é o caso de Grauben do Monte Lima, Lucia Laguna, Tomie Ohtake, entre outras.
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Visconti e Renoir — 150 anos de impressionismo
07.11—14.12.2024 / RJ
15.02—05.04.2025 / SP
Curadoria Denise Mattar
A primeira exposição dos artistas que seriam conhecidos como impressionistas aconteceu em Paris em 1874. Entre eles estavam Claude Monet, Auguste Renoir, Edgar Degas e Berthe Morisot. Audaciosos, eles se posicionavam contra as regras da Academia: pintavam ao ar livre, usavam cores claras, abordavam temas do cotidiano e eram atentos à percepção dos efeitos da luz natural e do movimento.
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Ozias26.10—20.12.2024Curadoria Jacopo Crivelli Visconti
O artista escolhido para a terceira exposição do projeto Os Futuros Grandes da Arte Naif, desenvolvido pelo MIAN - Museu Internacional de Arte Naif do Brasil a partir de maio de 1996, não poderia ter sido melhor indicado. Se eu tivesse que escolher um protótipo de pintor naif, teria recomendado o nome de Ricardo de Ozias sem hesitar. Ele reúne em si todos os ingredientes presentes num bom número de pintores naifs brasileiros.
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Abstrações Utópicas
08.12.2023—18.02.2024 / RJ
29.06—31.08.2024 / SP Curadoria Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto
A arte do pós-guerra se viu compelida a construir novas utopias a partir do fracasso dos projetos iniciais modernistas. As pesquisas abstratas se desenvolveram em diferentes lugares como resposta a essas necessidades. A migração de artistas e pensadores do velho mundo para às Américas pulverizou uma hegemonia europeia de séculos e transformou ambientes e trajetórias. Além disso, as inovações industriais mudaram definitivamente as relações de criação, produção e consumo.
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OCUPAÇÃO MULHERIO
08.08—05.10.2024Curadoria Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto/ RJ
A pesquisa e a vontade de reunir artistas mulheres de diversas gerações e vibrações deu origem, em 2022, à exposição MULHERIO. O título resgatou o nome deste importante periódico feminista dos anos 1980 para provocar sobre o “corpo” feminino a partir de diferentes visões e poéticas.
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Paulo Pedro Leal (1894-1968): Elegia dos detalhes
02.04—11.05.2024Curadoria Lilia Schwarcz/ SP
Figura retilínea, magra, de olhar um tanto vago. Era assim que os repórteres descreviam Paulo Pedro Leal, que viveu entre o período do pós-abolição (quando a República brasileira prometeu inclusão, mas entregou exclusão social), e o contexto da Ditadura Militar, tendo falecido em 1968. Como ocorre com muitas pessoas negras, as informações sobre a sua trajetória são imprecisas e cheias de lacunas. Essas são políticas de apagamento da memória que uma exposição como esta pretende contribuir para que sejam retomadas vidas, como a de Paulo Pedro Leal, muitas vezes perdidas no silêncio dos arquivos e dos registros incompletos.
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Jorge Guinle – Uma pincelada certa vale mais do que uma boa ideia
15.09 – 04.11.2023Curadoria Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto
Como uma antena parabólica, Jorge Guinle atua nas frestas da história da arte. Nascido em Nova Iorque, e intercalando períodos de sua vida entre Paris, Rio de Janeiro e sua cidade natal, desenvolveu, a partir dos anos 1960, uma produção artística impregnada por um olhar habituado aos museus e um impulso criativo voraz. Nas fronteiras entre a utopia moderna em ruínas, o expressionismo abstrato e o universo pop, Guinle criou um corpo pictórico de tensão e mistério. No espaço bidimensional da tela, gestos, grafismos e sombras figurativas convivem na harmonia do caos. Neste campo minado, onde a arte expressa o seu tempo, o artista corporifica as pontes entre a história, a inquietação do presente e as projeções de um futuro ainda em estado líquido.
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