Alvaro Seixas
[Rio de Janeiro, 1982]

Vive e trabalha no Rio de Janeiro

Alvaro Seixas É artista e professor de Desenho da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro [UFRJ]. Doutor em Linguagens Visuais pela mesma universidade. Em seu trabalho, o artista explora o desenho e a figuração pela apropriação de figuras presentes na cultura pop. O humor ácido é a principal característica de sua produção, que faz críticas ao sistema de arte e seus mecanismos hierárquicos de poder e status. O artista também desenvolve trabalhos que exploram a abstração na pintura e como essa linguagem se relaciona com o panorama artístico-cultural atual. Possui obras nos acervos do Museu de Arte do Rio [MAR], do Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, e na The Alex Katz Foundation, Nova York. Dentre suas exposições recentes se destacam a individual L'Enseigne, na Danielian, Rio de Janeiro [2025] e The Artworld will never end, no Espaço C.A.M.A, São Paulo [2021]; e as coletivas A quarta Geração Construtiva, na Galeria FGV Arte, Rio de Janeiro [2023], com curadoria de Paulo Herkenhoff; e Desvairar 22, no Sesc Pinheiros, São Paulo [2022]. Em 2015, participou da X Bienal do Mercosul, Porto Alegre, e da exposição 5º Prêmio CNI SESI SENAI Marcantonio Vilaça, no MAC USP. Em 2026 será publicado pela Editora Barléu um livro dedicado aos mais de 20 anos de trajetória do artista.


/ Alvaro Seixas is an artist and Drawing professor at the School of Fine Arts of the Federal University of Rio de Janeiro [UFRJ]. He holds a PhD in Visual Languages from the same institution. In his work, the artist explores drawing and figuration through the appropriation of images drawn from pop culture. His production is marked by a sharp, acidic humor that critiques the art system and its hierarchical mechanisms of power and status. The artist also develops works that investigate abstraction in painting and how this visual language relates to the current artistic and cultural landscape. His works are part of the collections of the Museu de Arte do Rio [MAR], the Museu Nacional de Belas Artes in Rio de Janeiro, and The Alex Katz Foundation in New York.

Recent exhibitions include the solo show L’Enseigne at Danielian, Rio de Janeiro [2025], and The Artworld will never end at Espaço C.A.M.A, São Paulo [2021]; as well as the group exhibitions A quarta Geração Construtiva at Galeria FGV Arte, Rio de Janeiro [2023], curated by Paulo Herkenhoff; and Desvairar 22 at Sesc Pinheiros, São Paulo [2022]. In 2015, the artist participated in the 10th Mercosul Biennial in Porto Alegre and in the exhibition 5º Prêmio CNI SESI SENAI Marcantonio Vilaça at MAC USP. In 2026, a book dedicated to more than 20 years of Alvaro Seixas’s trajectory will be published by Barléu.


Ana Neves 
[São Vicente Ferrer, PE, 1998]
Vive e trabalha em Recife



Ana Neves manipula a imagem em suas pinturas e desenhos para evidenciar a interconexão entre o ser humano e seu entorno, acionando corpos híbridos que unem o corpo humano, a fauna, a flora e objetos para revelar tanto a partilha do mundo quanto as tensões do pertencimento e da resistência. Sua trajetória se inicia na literatura; por isso, palavra e imagem coexistem como forças especulativas em suas obras. A artista desenvolve um léxico próprio de figuração a partir de um repertório recorrente de signos relacionados à sua formação pessoal, como pontes e estruturas curvas riscadas, que conectam um lugar a outro

Entre suas principais exposições estão a individual Tropical Trópico: Aqui Tudo Derrete [2025], na Torre Malakoff, Recife; e as coletivas Alumbramento, no Museu Nacional da República, Brasília; Inferno—Cânticos, na Garrido Galeria, e Tocar o céu com as mãos, na Amparo 60, ambas em Recife. Em 2025, realizou residência artística no Contra Ponto, em Recife, e em 2024, no Domo Damo, em São Paulo.


/ Ana Neves manipulates the image in her paintings and drawings to highlight the interconnection between human beings and their surroundings, activating hybrid bodies: merging the human form with fauna, flora and objects, revealing both the shared world and the tensions of belonging and resistance. Her trajectory begins in literature; therefore, word and image coexist as speculative forces in her work. The artist develops her own figurative lexicon from a recurring repertoire of signs connected to her personal formation, such as bridges and curved, scored structures linking one place to another.

Her main exhibitions include the solo show Tropical Trópico: Aqui Tudo Derrete  [2025], at Torre Malakoff, Recife; and the group shows Alumbramento, at Museu Nacional da República, Brasília; Inferno—Cânticos, at Garrido Galeria, and Tocar o céu com as mãos, at Amparo 60, both in Recife. In 2025, she completed an artist residency at Contra Ponto, in Recife, and in 2024 at Domo Damo, in São Paulo.


Anna Bella Geiger 
[Rio de Janeiro, 1933]
Vive e trabalha no Rio de Janeiro



Expoente da arte brasileira e global, Anna Bella Geiger tem uma carreira que compreende sete décadas, desde 1960 até à atualidade. Sua trajetória acompanhou o desenvolvimento institucional das artes no Brasil, e também do mercado da arte brasileiro e sua internacionalização. Geiger, filha de imigrantes judeus poloneses, estudou com a artista polaco-brasileira Fayga Ostrower no início de sua trajetória artística. Em 1953, participou da 1ª Exposição nacional de arte abstrata ao lado de Ivan Serpa, Antonio Bandeira, Lygia Clark e Lygia Pape. Após o estudo com Ostrower, artista de vertente abstrato-geométrica, expandiu sua produção artística nas décadas subsequentes com um corpo de trabalho diverso em temas e plural em meios, abandonando tendências abstratas com o início da ditadura militar brasileira em 1965. Influenciada pela Nova Figuração, realiza entre 1965 e 1968 sua série 'visceral' — termo cunhado por Mário Pedrosa. Esse conjunto de obras abre produção para apropriação e subversão cartográfica, técnicas constantes em sua obra desde então. Na década de 1970, passa a produzir em contato com correntes conceituais, englobando também meios reprodutíveis, como a fotografia, a colagem e o vídeo. Sua obra faz parte das coleções do MoMA, Nova York; Tate Modern e Victoria & Albert Museum, Londres; MACBA, Barcelona; Museu de Arte Moderna de São Paulo [MAM SP]; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo [MAC USP]; entre outras.

A arte produzida por Anna Bella Geiger tem um caráter dicotômico, contrastante e fronteiriço. Sua obra tem uma forte potência crítica, e desafia definições geopolíticas hegemônicas, constituindo uma obra diversa e consistente. Com a série visceral, seu trabalho adquire completude ao extrair formas de órgãos humanos e colocá-los em evidência e contraste contra o fundo monocromático — alusão à violência do regime ditatorial. Geiger assume naquele momento a investigação das formas em contraposição aos seus significados atribuídos. Ao subverter a leitura e o conteúdo das cartografias ela desafia noções culturais de centro e periferia. Através de suas reflexões visuais, Anna Bella desenvolveu uma poética contemporânea do espaço. Pela inviabilização da leitura objetiva dos mapas, acabou também por liberar o conhecimento crítico pelo qual se é possível adquirir uma nova leitura do mundo. Com a série Retratos [1970], a artista consolida a pujança crítica de sua obra e reflete a herança colonial brasileira, por exemplo, com a fundamental obra Brasil Nativo/Brasil Alienígena (1977), a qual congrega a reflexão entre os âmbitos da arte, história e ciências sociais.


/ A key figure in both Brazilian and global art, Anna Bella Geiger's career spans seven decades, ranging from 1960 to the present day. Her career has parallelled the institutional development of the arts in Brazil, as well as the Brazilian art market and its internationalization. Geiger, the daughter of Polish Jewish immigrants, studied with the Polish-Brazilian artist Fayga Ostrower at the beginning of her artistic career. In 1953, she took part in the 1st National Abstract Art Exhibition alongside Ivan Serpa, Antonio Bandeira, Lygia Clark, and Lygia Pape. After studying with Ostrower, a geometric abstract artist, she expanded her artistic production during the subsequent decades with a body of work that is diverse in terms of both its themes and form, abandoning her abstract tendencies during the start of the Brazilian military dictatorship in 1965. Influenced by New Figuration, between 1965 and 1968 she produced her visceral Series, a term coined by Mário Pedrosa. This body of work paves the way for appropriation and cartographic subversion, techniques that have been a constant in her work ever since. In the 1970s, she began to produce her work in dialogue with the conceptual waves of the time, also incorporating reproducible forms of media, such as photography, collage, and video. Her work is included in the collections of the Museum of Modern Art in New York [MoMA]; the Tate Modern, Victoria, and Albert Museums in London; the MACBA in Barcelona; the São Paulo Museum of Modern Art [MAM SP]; and University of São paulo Museum of Contemporary Art [MAC USP]; among others.

The art produced by Anna Bella Geiger is characterized by dichotomies, contrast, and edge. Her work has a strong critical voice and challenges hegemonic geopolitical constructs, coming together to produce a diverse, rigorous oeuvre. In the Visceral Series, her composition achieves completeness by extracting shapes from human organs and placing them both in focus and contrast against a monochrome background: an allusion to the violence of the dictatorial regime. It was then that she began investigating forms in opposition to their assigned meanings. By subverting the reading and content of cartographies, she challenges cultural notions of both the center and the periphery. Through her visual reflections, Anna Bella Geiger developed a contemporary poetics of space. By rendering an objective reading of maps unfeasible, it also opened the door to critical knowledge, making it possible to see the world in a new way. With the series Retratos [1970], Geiger wielded the critical strength of her work to reflect on Brazil's colonial heritage, for example in her quintessential work Brasil Nativo/Brasil Alienígena [1977], which brings together reflections from the academic fields of art, history, and social sciences.


Darks Miranda
[Fortaleza, 1985]
Vive e trabalha no Rio de Janeiro



Darks Miranda é artista e cineasta. Em seu trabalho, que combina vídeo, escultura, performance e instalação, usa a montagem como procedimento de linguagem e investiga o imaginário da ficção científica do século passado para refletir sobre o fracasso do projeto ocidental modernizante e suas noções de futuro e progresso. Em seus trabalhos de vídeo, a artista usa imagens de found footage emaranhadas em um processo de edição inventivo que brinca com a superposição e o excesso, criando composições e universos visuais em um meio termo entre ficção e realidade performática. Em sua pratica escultórica, a natureza arqueológica é expandida, assim como a sensação de se habitar uma dimensão paralela: paisagens cenográficas são povoadas por seres forjados em materiais sintéticos como látex, resina, plásticos, pigmentos, tinta spray e, mais recentemente, matérias minerais como a argila e os esmaltes cerâmicos.

Participou de exposições em instituições como Centro Internacional das Artes José de Guimarães [Portugal], Tate Modern [Reino Unido], Centro de Cultura Digital CDMX [México], Centre Georges Pompidou [França] e a 14ª Bienal do Mercosul. Em 2025, foi uma das artistas vencedoras do Prêmio PIPA.


/ Darks Miranda is an artist and filmmaker. In her work—combining video, sculpture, performance, and installation—she employs montage as a linguistic strategy and delves into the sci-fi imaginaries of the last century to reflect on the failure of the Western modernizing project and its notions of future and progress. In her video pieces, the artist weaves together found-footage images through an inventive editing process that plays with superimposition and excess, creating compositions and visual worlds that hover between fiction and performative reality. In her sculptural practice, the archaeological nature of objects is expanded, as is the sensation of inhabiting a parallel dimension: scenic landscapes are populated by beings forged from synthetic materials such as latex, resin, plastics, pigments, spray paint and, more recently, mineral substances like clay and ceramic glazes.

She has taken part in exhibitions at institutions such as Centro Internacional das Artes José de Guimarães [Portugal], Tate Modern [UK], Centro de Cultura Digital CDMX [Mexico], Centre Georges Pompidou [France], as well as the 14th Bienal do Mercosul. In 2025, she was one of the winners of the PIPA Prize.



Emilio Azevedo
[Goiás, 1987]
Vive e trabalha em Bruxelas



A prática de Emilio Azevedo desenvolve-se pelo aprofundamento teórico nas possibilidades factuais da própria fotografia. Suas técnicas de enquadramento e ampliação ressaltam a dimensão fantasmagórica, questionando e tensionando as biografias e a vida social de objetos, pessoas e elementos da paisagem. Seus projetos, muitas vezes de caráter imersivo, articulam pesquisa de arquivo e práticas de campo, constituindo séries que revelam a dimensão ficcional dos grandes relatos oficiais. A série Rondônia, ou Como Eu Me Apaixonei por uma Linha [2020] investiga como práticas extrativistas ocidentais se sustentam em regimes visuais que moldam o território amazônico a partir de estruturas lineares, racionalistas e profundamente cartográficas. Ao tensionar esses modos de ver, o trabalho desestabiliza modelos dominantes de representação e evidencia suas implicações estéticas, históricas e territoriais. Em vez de reafirmar atribuições já consolidadas, o artista explora os limites entre o factual e a ficção, mostrando como essas fronteiras atravessam os próprios regimes de imagem que moldaram a leitura da Amazônia. Suas fotografias não apenas registram: elas deslocam, desmontam e reimaginam formas de capturar e construir o território, cultivando aquilo que o artista define como uma 'an-arquia visual'.

O trabalho de Emilio Azevedo já participou de exposições em instituições como Musée du quai Branly e Festival PhotoSaintGermain, Paris; La nombreuse e Wiels Contemporary Art Centre, Bruxelas; e Musée d'Art Contemporain d'Anvers. Foi laureado com os prêmios PhMuseum 2025 Photography Grant; Prix pour la Photographie do Musée du quai Branly; FOMU — Museum of Photography Antwerp / TIFF Emerging Belgian Photography; Dior Photography and Visual Arts Award for Young Talents; Prix de Photographie; e finalista do prêmio Marc Ladreit de Lacharrière.


/ Emilio Azevedo’s practice unfolds through a theoretical deepening of the factual possibilities of photography itself. His framing and enlargement techniques highlight a phantasmagoric dimension, questioning and destabilizing the biographies and social lives of objects, people, and elements of the landscape. His often immersive projects articulate archival research and field practices, forming series that reveal the fictional dimension embedded within major official narratives. The series Rondônia, ou Como Eu Me Apaixonei por uma Linha [2020] investigates how Western extractivist practices rely on visual regimes that shape the Amazonian territory through linear, rationalist, and profoundly cartographic structures. By straining these modes of seeing, the work unsettles dominant representational models and exposes their aesthetic, historical, and territorial implications. Rather than reaffirming established assignments, the artist explores the boundaries between the factual and the fictional, showing how these thresholds permeate the very image regimes that have shaped how the Amazon is read. His photographs do more than record: they shift, dismantle, and reimagine ways of capturing and constructing territory, cultivating what the artist describes as a 'visual an-archy'.

Azevedo’s work has been featured in exhibitions at institutions such as Musée du quai Branly and Festival PhotoSaintGermain, Paris; La Nombreuse and Wiels Contemporary Art Centre, Brussels; and Musée d'Art Contemporain d’Anvers. He has been awarded the PhMuseum 2025 Photography Grant; Prix pour la Photographie du Musée du quai Branly; FOMU — Museum of Photography Antwerp / TIFF Emerging Belgian Photography; Dior Photography and Visual Arts Award for Young Talents; Prix de Photographie; and was a finalist for the Marc Ladreit de Lacharrière Prize.



Florencia Rodríguez Giles
[Buenos Aires, 1978]
Vive e trabalha em Buenos Aires



A prática artística de Florencia Rodríguez Giles se desenvolve por meio do contato com comunidades oníricas e outros processos coletivos ou relacionais que não se limitam ao sonho. Em seu processo, o intercâmbio com o outro pode ocorrer de inúmeras maneiras — desde cartas que descrevem sonhos até o compartilhamento da vida cotidiana com pessoas portadoras de especificidades psicossociais no CAOS, projeto de longa duração desenvolvido no interior de Buenos Aires, onde a artista trabalha de perto com comunidades locais. Essas colaborações se projetam em seus desenhos monumentais em grafite, expografias inovadoras e performances frenéticas. As máscaras que ela produz oferecem caminhos para estados mentais alternativos que enfatizam e redesenham o senso comunitário dos performers ou das pessoas que entram em contato com sua obra. A artista explora o espaço da criação por meio de correntes teóricas e filosóficas ligadas à teoria queer e pós-humanista, propondo uma prática que se materializa como mediadora entre os mundos da vigília e do sonho. Não apenas criando uma ponte entre sono e vigília, mas também abrindo um espaço onde formas marginais de conhecimento, cuidado e imaginação coletiva podem se desdobrar.

Florencia Rodríguez Giles já expôs em instituições como o Museo Reina Sofía, Madrid; Palais de Tokyo, Paris; Museo de Arte Moderno de Buenos Aires; TANK Shanghai; Museo Madre, Nápoles; Pivô, São Paulo; The Drawing Center, Nova York; e a 11ª Bienal de Berlim no KW Institute.


/ Florencia Rodríguez Giles’s artistic practice unfolds through contact with oneiric communities and other collective or relational processes that extend beyond dreaming itself. Throughout her process, exchanges with others can take many forms — from letters describing dreams to the sharing of daily life with people with psychosocial specificities at CAOS, a long-term project developed in the interior of Buenos Aires, where the artist works closely with local communities. These collaborations are projected into the artist’s monumental graphite drawings, innovative exhibition designs, and frenetic performances. The masks that she create offer pathways into alternative mental states that emphasize and redraw the sense of community experienced by performers or by those who come into contact with her work. The artist explores the field of creation through theoretical and philosophical frameworks linked to queer and post-humanist theory, proposing a practice that operates as a mediator between the worlds of wakefulness and dreaming. Her work not only builds a bridge between sleep and wakefulness, but also opens a space where marginal forms of knowledge, care, and collective imagination can unfold.

Florencia Rodríguez Giles has exhibited at institutions such as the Museo Reina Sofía, Madrid; Palais de Tokyo, Paris; Museo de Arte Moderno de Buenos Aires; TANK Shanghai; Museo Madre, Naples; Pivô, São Paulo; The Drawing Center, New York; and the 11th Berlin Biennial at KW Institute.


Jorge Guinle 
[Nova York, EUA, 1947 — 
Rio de Janeiro, 1987]



Um dos maiores contribuintes para a pintura brasileira e figura chave da Geração 80, Jorge Guinle Filho nasceu em Nova York e viveu no Rio de Janeiro até 1955. Mais tarde mora em Paris e, posteriormente, Nova York até 1965, quando muda-se para o Rio de Janeiro novamente. Até o momento em que se estabelece na antiga capital do império, Guinle já havia passado mais da metade de sua existência no exterior. Nos seus sete anos de produção artística, criou um legado expressivo e obteve reconhecimento, sendo convidado para participar de três das cinco Bienais de São Paulo da década de 1980: a 17ª edição em 1983, a 18ª em 1985 e a 20ª em 1989. Também participou de inúmeras mostras individuais e coletivas. Guinle foi um dos mais fundamentais colaboradores na exposição Como vai você Geração 80?, Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro, e escreveu para o catálogo, contribuindo para o firmamento teórico do grupo.

Exímio colorista e realizador de uma pintura energética, solar e distintivamente positiva, Jorge Guinle Filho mudou permanentemente o panorama da pintura brasileira. Sua capacidade de reinterpretar as qualidades da pintura abstrata presente em outros países nas décadas de 1970 e 1980 constituiu uma obra ímpar, destacando-o entre os seus contemporâneos brasileiros. Sua pintura materializa não apenas influências matissianas e picassianas das vanguardas modernistas europeias, mas também os melhores elementos das expressões pictóricas surgidas na Europa e América do Norte nas décadas anteriores. Suas cores são díspares às do neoexpressionismo norte americano, e das propostas abstratas europeias como as do grupo alemão Die Wilde e italiano transvanguardia. Seu gesto compositivo expressa 'uma agitação feroz e bem-humorada' como notou o crítico Ronaldo Brito. Espirituosos, os títulos de suas obras exercem a função de adicionar ao dinamismo de suas pinceladas e unem o fluxo de ideias à fluidez de suas composições. Por sua vez, suas investidas cromáticas compuseram pela contiguidade e sobreposição — parte de sua técnica positiva, produzida através da adição de elementos e camadas. Guinle nunca fazia esboços para suas pinturas, sua técnica organizava-se através do gesto, através do qual apreendia as ideias e os seus redores na pintura, promovendo 'um permanente estado de apreensão', nas palavras de Christina Bach.


/ One of the most significant contributors to Brazilian painting and a key figure of the Geração 80 movement, Jorge Guinle, was born in New York and lived in Rio de Janeiro until 1955. He later resided in Paris, and then in New York until 1965, at which point he moved back to Rio de Janeiro. By the time he settled in the former imperial capital, Guinle had already spent more than half of his life abroad. During just seven years of artistic production, he built up an impressive legacy and gained critical recognition through being invited to take part in three of the five São Paulo Biennials of the 1980s: the 17th edition in 1983, the 18th, in 1985 and the 20th in 1989. He also took part in numerous solo and group exhibitions. Guinle was one of the most fundamental contributors to the exhibition Como vai você Geração 80?, at the School of Visual Arts at Parque Lage, Rio de Janeiro, and wrote a portion of the exhibition catalog, contributing to the group's theoretical foundation.

A masterful colorist and the creator of an energetic, solar, and distinctly positive painting practice, Jorge Guinle Filho permanently changed the landscape of Brazilian painting. His ability to reinterpret the qualities of abstract painting present in other countries in the 1970s and 1980s set his work apart, distinguishing him among his Brazilian contemporaries. His paintings materialize not only Matissian and Picassian influences from the European modernist avant-garde, but also some of the most striking elements of the pictorial expression that emerged in the previous decades in Europe and North America. His use of colors are markedly different from those of American Neo-Expressionism and European abstract movements, such as the German group Die Wilde and Italian Transvanguardia. His compositional gestures expressed 'a fierce and humorous agitation', as critic Ronaldo Brito noted. The witty titles of his works add to the dynamism of his brushstrokes and unite his flow of ideas with the fluidity of his compositions. In turn, his colorful strokes were composed through contrast and overlap — part of his positivistic technique, produced through the addition of elements and layers. Guinle never sketched out his work before paintings. His technique was gestural, which allowed him to grasp both ideas and his surroundings in his paintings, leading to 'a permanent state of apprehension', in the words of Christina Bach.

Manuel Messias dos Santos 
[Aracaju, 1945 — 
Rio de Janeiro, 2001]



Com cerca de sete anos, Manuel Messias dos Santos se mudou para o Rio de Janeiro com sua mãe em busca de melhores condições de vida. Sua infância foi marcada pela memória rural nordestina e a experiência urbana de conviver entre diferentes realidades sociais e econômicas. Sua mãe, personagem central e companheira de toda a vida, trabalhou como empregada doméstica na casa de personalidades da sociedade carioca ligadas ao universo das artes. Esse contato possibilitou que o jovem Messias, que já manifestava habilidade para o desenho, pudesse ter acesso a aulas de arte a partir do início dos anos 1960. O curso livre de Ivan Serpa no MAM RJ foi o estopim para sua identificação como artista e para a sua integração no ambiente cultural da cidade. 

Por incentivo de Serpa e da artista Mirian Inez, dedicou-se à xilogravura. Suas obras logo passaram a fazer parte de coletivas, salões e exposições internacionais. A produção dos primeiros anos mostra a experimentação e o amadurecimento de técnicas, com a influência expressionista de artistas como Oswaldo Goeldi e da xilogravura da literatura de cordel. No final dos anos 1960, a elaboração formal de suas obras já revela a consciência dramática que será o aspecto diferencial em suas gravuras. 

Como parte de uma geração que se desenvolveu ao longo dos anos mais duros da ditadura militar, apesar de nunca ter declarado nenhum posicionamento político, Messias incorporou em suas obras a denúncia de um período marcado pelo medo e pelo terror. A série Nossa, feita ao longo da década de 1970, assume uma postura quase panfletária que nos conecta e demonstra, ao mesmo tempo, a violenta face do convívio humano. As obras de formato quadrangular escancaram incongruências da nossa sociedade e os trabalhos verticais apontam a natureza humanitária como elos para uma compreensão mais fraterna. 

Manuel Messias dos Santos é um artista de qualidade e relevância inquestionáveis. Sua vida e obra revelam as marcas das injustiças e dos problemas estruturais brasileiros. Sua trajetória pessoal escancara uma realidade escondida e esquecida às margens, invisibilizada pelo racismo estrutural, pela desigualdade histórica e geográfica e pela nossa incapacidade e desinteresse em viver em harmonia social. Esta exposição, a primeira mostra institucional dedicada à sua obra, nasce da necessidade de reconhecimento e de inclusão definitiva de sua produção na escrita das tantas e tão plurais histórias da arte brasileira.


/ Around the age of seven, Manuel Messias dos Santos moved to Rio de Janeiro with his mother in search of better living conditions. His childhood was marked both by rural Northeastern memories and by the urban experience of living among different social and economic realities. His mother—a central figure and lifelong companion—worked as a domestic employee in the homes of prominent figures of Rio’s cultural scene connected to the arts. This environment allowed the young Messias, who had already shown a natural ability for drawing, to access art classes in the early 1960s. The open studio course led by Ivan Serpa at MAM Rio was the catalyst for his identification as an artist and his integration into the city’s cultural sphere.

Encouraged by Serpa and by artist Mirian Inez, he devoted himself to woodcut printing. His works soon began to appear in group exhibitions, salons, and international shows. The production of his early years reveals experimentation and technical maturation, with the expressionist influence of artists such as Oswaldo Goeldi and of the cordel woodcut tradition. By the late 1960s, the formal development of his works already revealed the dramatic awareness that would become the distinctive feature of his prints.

As part of a generation shaped during the harshest years of the military dictatorship — and despite never having made explicit political statements—Messias incorporated into his works a denunciation of a period marked by fear and terror. The series Nossa, produced throughout the 1970s, assumes an almost pamphleteering stance that simultaneously connects us to and exposes the violent face of human coexistence. The square-format works lay bare the contradictions of our society, while the vertical compositions point to humanitarian values as pathways toward a more fraternal understanding.

Manuel Messias dos Santos is an artist of unquestionable quality and relevance. His life and work reveal the imprints of Brazilian injustices and structural problems. His personal trajectory exposes a reality hidden and forgotten at the margins, made invisible by structural racism, by historical and geographic inequality, and by our collective inability—and unwillingness—to live in social harmony. This exhibition, the first institutional show dedicated to his work, arises from the need to recognize and definitively include his production within the writing of the many and plural histories of Brazilian art.



Mariana Tassinari
[São Paulo, 1980]
Vive e trabalha em São Paulo



Mariana Tassinari constitui sua obra na intersecção do design e das artes visuais e explora a junção das cores tenras dos tecidos àquelas dos metais. Nessa sobreposição, une meio e suporte criando arquiteturas que se acentuam por meio de práticas de aproximação de planos diversos como o bordado e a colagem. Sua prática explora as formas fundamentais de tecnologias materiais, tais como a dos utensílios, por exemplo, dialogando com o espaço e tempo arcaicos de suas conceitualizações e suas formas futuras, ainda não definidas. Agindo no espaço da incerteza, ora em cerâmica, ora em metal e tecido, sua obra sintetiza o diálogo entre passado e futuro pelo momento presente. Ainda diminuindo o espaço entre estruturas opostas, a artista aproxima com sua obra diferentes localidades às geometrias industriais através da sua pesquisa de tradições manuais e por meio desta junção contribui para a criação de novas estruturas.

Seu trabalho foi exposto em diversos contextos institucionais, por exemplo, Sesc Vitrine [2010], no Sesc Santana, São Paulo; Lianzhou Photo [2013]; Pensaram ser Paisagem, era corpo, no BNP Paribas [2018], e Silhuetas [2024], no Quase Espaço, ambos em São Paulo.


/ Mariana Tassinari builds her work at the intersection of design and the visual arts, exploring the interplay between the soft colors of fabrics and those of metals. In this layering, she merges medium and support, creating architectures that are accentuated through practices that bring different planes into proximity, such as embroidery and collage. Her practice investigates the fundamental forms of material technologies—including those of everyday utensils—engaging with both the archaic space-time of their conceptual origins and their future, not-yet-defined forms. Working within a zone of uncertainty—at times in ceramics, at times in metal and fabric—the artist’s work synthesizes a dialogue between past and future through the immediacy of the present. Further narrowing the distance between opposing structures, she brings together different localities and industrial geometries through her research into manual traditions, and through this union contributes to the creation of new structures.

Her work has been exhibited in various institutional contexts, including Sesc Vitrine [2010] at Sesc Santana, São Paulo; Lianzhou Photo [2013]; Pensaram ser Paisagem, era corpo at BNP Paribas [2018]; and Silhuetas [2024] at Quase Espaço, both in São Paulo.



Nicholas Grafia
[Angeles City, Filipinas, 1990]
Vive e trabalha na Alemanha



Nicholas Grafia tem sua prática artística fundamentada no diálogo entre a pintura, performance e instalação. Estudou com Dominique Gonzalez-Foerster na Academia de Belas Artes de Düsseldorf. Suas obras investigam a criação da memória psicológica, política e cultural, bem como processos de alterização, exclusão e inclusão. Sua linguagem visual é informada por uma extensa paleta de cores, por vezes também intensas em suas pictorialidades, e pelas vertentes teóricas da estética absurdista, estudos pós-coloniais, o estranho [uncannyGeheim], monster theory e o pós-humano. Nicholas Grafia explora cultura pop, eventos contemporâneos e seus efeitos nos âmbitos micro e macro políticos através da visualidade; atuando entre opostos, expande do pessoal para o universal e vice-versa. Suas performances são, por vezes, feitas em colaboração com seus companheiros. Em decorrência disso, suas experiências se influenciam e geram um evento social compartilhado. 

Seu trabalho já integrou instituições como Museu Ludwig, Colônia; Shedhalle, Zurique; Haus der Kulturen der Welt, Berlim; Museu de Arte Contemporânea de Luxemburgo [Mudam]; e CAPC Museu de Arte Contemporânea de Bordeaux.


/ Nicholas Grafia’s artistic practice is grounded in the dialogue between painting, performance, and installation. They studied under Dominique Gonzalez-Foerster at the Academy of Fine Arts in Düsseldorf. Their work investigates the construction of psychological, political, and cultural memory, as well as processes of othering, exclusion, and inclusion. Their visual language is informed by an extensive color palette—at times intense in its pictoriality—and by theoretical frameworks drawn from absurdist aesthetics, postcolonial studies, the uncanny [Geheim], monster theory, and post-humanism. The artist explores pop culture, contemporary events, and their effects on both micro- and macro-political spheres through visuality. Operating between opposites, Nicholas Grafia expands from the personal to the universal and back again. Their performances are often created in collaboration with their partners, resulting in shared processes that generate a collective social event.

Their work has been presented at institutions such as Museum Ludwig, Cologne; Shedhalle, Zurich; Haus der Kulturen der Welt, Berlin; Museum of Contemporary Art of Luxembourg [Mudam]; and CAPC Musée d’Art Contemporain de Bordeaux.



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