Meet Me Halfway | Nicholas Grafia
09.04.2026—16.05.2026
Curadoria
Dereck Marouço
“À noite sonho em cor.
Há sonhos que me vêm coloridos
E os sonhos em cor — eu LEMBRO.”
Jarman, Derek
Chroma: A Book of Color
“Essa ‘sinceridade puramente material’ do ritual ideológico externo — e não a profundidade das convicções e desejos íntimos do sujeito — é o verdadeiro lugar da fantasia que sustenta um edifício ideológico.
A noção corrente de como a fantasia opera na ideologia é a de um cenário fantasioso que encobre o verdadeiro horror de uma situação: em vez de uma exposição plena dos antagonismos que atravessam nossa sociedade, nos entregamos à ideia de uma sociedade como um Todo orgânico, mantido coeso por forças de solidariedade e cooperação…”
Žižek, Slavoj
The Plague of Fantasies
Nicholas Grafia comumente absorve em sua obra a cultura pop e visual para refletir sobre questões identitárias e da história da arte. Suas pinturas e performances geralmente se alimentam mutuamente. Ao mesmo tempo, sua obra atua em um campo de referências interconectadas enraizada na história, na literatura e nas tradições orais. Assim, investiga a influência de diferentes narrativas na legitimação de “verdades”. Suas telas trazem personagens e personalidades de diversas épocas em conversas ficcionais com o objetivo de dar sentido aos fatos que ocorreram em diferentes momentos, do passado em retrospecto, e do momento presente.
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Como vender a Lua | Anna Bella Geiger
31.03.2026—30.05.2026
Curadoria
Marcus de Lontra Costa
e
Rafael Fortes Peixoto
A lua dos poetas, dos viajantes, dos místicos, dos namorados, dos profetas, dos loucos, de tantos donos e de tantos sonhos. O globo prateado que guia as marés, assim como o sol, ancora no firmamento a conexão do nosso mundo com o universo insondável. Na dança dos astros, seus movimentos organizam o tempo dos fluxos, das colheitas e dos sentimentos. Na memória e nos afetos, a lua é mais do que satélite, é campo simbólico de projeções e ilusões compartilhadas.
Em 1969, em plena Guerra Fria, devaneios de poder e dominação cravaram no solo lunar o violento falo da humanidade: a bandeira. Terra dominada fora da terra. Sob a pegada no chão, a fantasia é achatada pela conquista de um território em disputa: a imaginação. Da lua, enfim, podemos nos ver?
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(como me apaixonei por uma linha) | Emilio Azevedo
12.03.2026—30.05.2026
Texto crítico Fernanda Brenner
“A Transamazônica foi o caminho de nossa desumanidade: uma estrada aberta para o nada, pavimentada com os corpos dos índios.”
— Darcy Ribeiro, Os Índios e a Civilização, 1996
Algumas memórias parecem banais até que algo as faz voltar. Penso na hora do recreio na escola, na ansiedade de trocar as notas amassadas por um salgado qualquer. A textura do trocado era sempre a mesma, mas uma semana estampava um gaúcho, na seguinte uma cobra, depois um prédio. Esse era o Brasil dos anos 1990, quando a moeda mudava de nome numa velocidade impensável, Cruzeiro em Cruzado, Cruzado em Cruzado Novo, Cruzado Novo em Cruzeiro Real, como se o país tentasse, a cada vez, se redefinir no papel. De um lado, o perfil austero de um homem. Do outro, quase apagadas na superfície, duas mulheres Karajá. A nota de mil cruzeiros, impressa em 1990, desapareceria em 1993 sem que quase ninguém percebesse.
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Expressão genuína: Giovanni Castagneto
28.02.2026—25.04.2026
Texto crítico Yuri Quevedo
As marinhas ocupam um lugar especial na história da arte moderna ocidental. Herdeiras da ordenação pitoresca ou do assombro sublime, elas se constituem como paisagens onde a humanidade elabora sua relação com o mar — porção de água tranquila ou força incontrolável da natureza. Diferente da fumaça das locomotivas, ou do borrão do fluxo urbano, o humor das marés não serve como imagem agradável do dinamismo moderno, ao contrário, seu ritmo representa uma ordem inexorável e melancólica, que draga tudo para seu âmago. Se a célebre frase “tudo que é sólido se desmancha no ar” descreve a instabilidade das estruturas na nova era, aqui essas mesmas estruturas são corroídas pelo mar — uma força moderna que inevitavelmente nos arrasta para o futuro, nem que seja pela via da ruína.
Giovanni Battista Castagneto é o pintor de sua época que melhor compreende essa força. Nascido em Gênova em 1851, filho de marinheiro e ele próprio embarcado, chega ao Rio de Janeiro em 1874. Três anos depois, passa a frequentar a Academia de Belas Artes, onde obtém medalhas antes de dividir o prêmio máximo da Exposição Geral de 1884 com seu mestre, Georg Grimm, defensor da pintura ao ar livre. Sem recursos, equilibra-se entre os professores mais antigos — em especial Zeferino da Costa, a quem auxilia na Candelária — e o grupo formado em torno de Grimm, que incluía Antônio Parreiras.
Com a morte do pai, em 1886, passa a viver entre uma embarcação-ateliê e a casa de amigos. Consolida-se então sua imagem de artista rude e rebelde
— adjetivos mobilizados para explicar a expressividade das pinceladas, o aspecto tosco dos brancos espatulados e engrossados com gesso, e certa liberdade compositiva. A vida boêmia e os suportes improvisados — tampas de charuto, pratos, embrulhos, até bacalhau seco — reforçam uma aura de genialidade popular, também muito moderna, que renega convenções em favor de uma expressão genuína.
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