Caderno de artista

Os “livro de artista” começam a aparecer como produtos artísticos em grupo futuristas, dadaístas e surrealistas, tornando-se uma prática recorrente ao longo do século XX, em especial durante os anos 1960 e 1970.

 

Anna Bella Geiger realiza uma série desses livros no período histórico conhecido como “anos de chumbo”, onde a perseguição política e da supressão dos direitos civis é intensificada pelo Ato Institucional Nº 5, em 1971.

 

Esses cadernos assimilam a estética e a retórica das cartilhas escolares da época em que eram ensinadas disciplinas como “Educação moral e cívica” que pretendiam orientar os estudantes segundo os preceitos impostos pelo Regime Militar (1964-1985). Neles, a partir de intervenções e subversões, a artista aborda dois temas: o universo artístico e cultural e a História nacional. Por um lado, insurge contra as premissas doutrinárias da ditadura civil-militar e, por outro, ao lançar mão da xerox, Anna Bella discute o próprio sistema de arte. O uso da fotocópia ganha força entre os artistas brasileiros desse período, não só por sua vocação panfletária e pela sua agilidade e praticidade de execução, mas também por reacender um debate benjaminiano sobre a reprodutibilidade técnica, a função da arte como objeto único e a sua elitização.

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The “artist’s book” began to appear as artistic products in Futurist, Dada and Surrealist groups, becoming a recurrent practice throughout the 20th century, especially during the 1960s and 1970s.

 

Anna Bella Geiger makes a series of these books in the historical period known as the “years of lead”, where political persecution and the suppression of civil rights is intensified by Institutional Act No 5.

These notebooks assimilate the aesthetics and rhetoric of school booklets from the time when subjects such as “Moral and Civic Education” were taught, which intended to guide students according to the precepts imposed by the Military Regime (1964-1985). In them, from interventions and subversions, the artist addresses two themes: the artistic and cultural universe and national history. On the one hand, she rebels against the doctrinal premises of the civil-military dictatorship and, on the other hand, using xerox, Anna Bella discusses the art system itself. The use of photocopying gained strength among Brazilian artists of this period, not only for its pamphleteering vocation and for its agility and practicality of execution, but also for rekindling a Benjaminian debate on technical reproducibility, the function of art as a unique object and its elitization.